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Fluxo de caixa: é hora de refazer as contas

Sebrae orienta que micro, pequenas e médias empresas avaliem o cenário para tentar gerar o menor impacto possível na saúde financeira de seus negócios


O fluxo de caixa – entradas e saídas – do negócio tem preocupado os micro, pequenos e médios empresários no momento em que o comércio está fechado por conta da pandemia de coronavírus. É hora de analisar cuidadosamente como não deixar o saldo no negativo e quando tomar crédito nos bancos.

Para o coordenador de Inovações Financeiras do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Adalberto de Sousa, o primeiro passo é cuidar da entrada de caixa, decorrente das vendas. “Buscar alternativas para compensar a perda de negócios por não estar na sua atividade normal é o caminho. Prover seus serviços por meio da Internet e usar empresas de delivery podem ser boas soluções”, orienta.

Quanto às saídas, o consultor recomenda que seja suspenso qualquer investimento que o empresário pensava em fazer nos próximos meses para melhorar seu negócio. A questão dos custos variáveis também precisa ser olhada com atenção. De acordo com ele, como a produção vai cair, é preciso reduzir as compras de insumos, e os custos com energia elétrica, programando a produção e planejando a escala de entregas.

Além disso, os custos fixos, como aluguel, devem ser negociados. “A hora é de negociar, tentar parcelamentos com o proprietário e com os fornecedores, e renegociar prazos, para gerar o menor impacto possível na saúde financeira dos pequenos negócios”.

O analista do Sebrae chama a atenção para as medidas anunciadas por agências de fomento, cooperativas, bancos públicos e privados para fomentar o crédito. “No entanto, os empresários têm que avaliar a tomada de empréstimo porque, embora o crédito oferecido tenha carência, ele vai ter que pagar depois”. Para ele, primeiro é preciso fazer um reescalonamento da empresa como um todo para, só depois, avaliar a necessidade de pegar empréstimo.

É preciso também ficar atento às iniciativas do governo para apoiar as empresas no cenário atual, como, por exemplo, o pacote econômico apresentado recentemente, que adia, da parte da União, o recolhimento do Simples Nacional por três meses. A medida vai beneficiar cerca de 4,9 milhões de empresas, que são optantes do regime tributário. Também foi anunciado o adiamento, por três meses, do prazo que as empresas têm para pagar o FGTS.

Para o analista de soluções do Sebrae, Saulo Henrich Morschel, se for necessária a injeção de capital de giro, o empresário deve buscar linhas de crédito que estejam com taxas de juros menores e ofereçam um período maior de carência para pagamento. “Isso dará um fôlego para o empresário superar o período turbulento”.

Mas, para ele, o ideal é que o pequeno empresário equalize os prazos de recebimento de clientes e pagamentos de fornecedores, além de tomar medidas para contenção de gastos. “Depois disso é que se irá analisar os impactos da queda de faturamento no fluxo de caixa futuro da empresa”, explica.

Brasil Mais – o programa, lançado pelo governo federal no dia 18 de fevereiro, é uma iniciativa para ajudar as micro, pequenas e médias empresas brasileiras com melhores práticas produtivas e gerenciais, de baixo custo e alto impacto. O Brasil Mais oferece às empresas soluções para melhorar a gestão, inovar processos e reduzir desperdícios.

O programa é coordenado pelo Ministério da Economia, com gestão operacional da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e execução pelo SENAI e pelo Sebrae. Saiba mais